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A independência de um bolo é, na verdade, determinada por seu grau de auto-suficiência no suprimento de energia. Agricultura e fabricultura podem ser consideradas duas formas de resolver esse problema.13 A energia (pali) é necessária para a própria agricultura (tratores), para o transporte, para aquecer e congelar, para cozinhar, para aplicações mecânicas e para a produção de energia em si. bolobolo não é necessariamente uma civilização de baixa energia, isto é, o baixo consumo de energia não é motivado por esforços ecológicos, mas mera conseqüência de diversidade cultural, pequenez, prevenção de processos intensivos de trabalho, ausência de controle e de disciplina. Sistemas de alta energia comportam atenção contínua, controle dos controles, confiabilidade, já que o risco de falhas é alto, bolobolo vai precisar de muito menos energia, só porque é um estilo de vida diferente ou melhor, uma variedade de estilos de vida, cada um com uma demanda diferente de energia.
Auto-suficiência local, vida comunitária em bolos, tempo em vez de velocidade, tudo isso reduz o tráfego, o consumo de combustível e todos os tipos de aplicações mecânicas. Uma grande porção de energia é necessária hoje para juntar coisas ou pessoas que foram separadas pelas funções de um sistema centralizado: casa e local de trabalho, produção e consumo, entretenimento e vida cotidiana, trabalho e lazer, cidade e campo. O consumo de energia cresce proporcionalmente ao isolamento de pessoas sós e famílias nucleares. O tamanho e a estrutura dos bolos permitem mais usos com menos consumo de energia, porque meios diferentes vão também complementar e sustentar uns aos outros. Os bolos podem aplicar os diferentes tipos de energia, cada qual da melhor maneira possível. Eletricidade para iluminação, para equipamentos eletrônicos, energia mecânica e alguns meios de transporte (trens, bondes). O suprimento básico de energia pode ser produzido pelo próprio bolo (especialmente para iluminação) por cata-ventos, células solares, pequenos geradores hidráulicos nos rios, geradores de biogás, etc. Energia solar passiva, coletores, sistemas geotérmicos podem ser usados para aquecimento e água quente. Combustíveis só vão ser consumidos para conseguir altas temperaturas: para cozinhar (biogás, madeira, carvão, gás), para máquinas a vapor (caminhões, barcos, geradores) e para alguns motores a combustão (gasolina, diesel, querosene para ambulâncias, aviões de resgate, carros de bombeiros, veículos de emergência para todos o fins).
Um bolo é também um sistema integrado de energia, onde se pode combinar os recursos internos e externos. Nas regiões frias, a perda de calor dos fornos ou máquinas de oficina pode ser usada para aquecimento, porque em 80% dos casos a casa e o trabalho são no mesmo lugar. Muitos espaços aquecidos também podem ser usados comunalmente (por exemplo, banho, banheiras quentes, salas de visitas, saunas, restaurantes). Lixo e excrementos serão transformados em biogás (metano) em vez de poluir as águas. O tamanho dos bolos (eles são relativamente grandes para este fim) facilita a eficiência do uso e da distribuição de energia, já que as instalações e mesmo os sistemas eletrônicos de controle estão numa relação razoável com o consumo necessário. (O que não é o caso dos prédios isolados ou casas de família: a maioria das novas tecnologias alternativas aplicadas atualmente a casas avulsas é puro luxo.)
Em climas quentes um bolo pode ser mais de 90% independente quanto a energia, e de 50 a 80% em zonas moderadas e frias. Os bolos cooperam entre si e o resto é cuidado por comunidades maiores como cidades e pequenas regiões (tega e vudo). Num nível mais alto, as regiões autônomas (sumi) concluem acordos de importação/exportação de energia (eletricidade, carvão, petróleo). Além disso, haverá uma coordenação mundial para a distribuição de combustíveis fósseis (ver asadala).
Altos consumos de energia parecem estar ligados a conforto, alto nível de vida, mobilidade então virão tempos difíceis quando houver uma redução drástica? De jeito nenhum. Muita energia é usada hoje para garantir o dia normal de trabalho da indústria, e não para os prazeres individuais. O ritmo desse dia de trabalho (9 às 5 ou não) determina consumo no pico, necessidade de climatização rápida e padronizada (21 graus centígrados e 55% de umidade). Como o trabalho está no centro de tudo, não há tempo para lidar diretamente com os elementos energéticos de fogo, vento, água e combustíveis. O clima, ritmo diário e sazonal que poderia trazer muita diversidade e prazer, é visto apenas como fonte de confusão, já que perturba o trabalho (neve no inverno, chuva, calor demais no verão, etc.). Então existe uma espécie de falso conforto no controle ambiental que causa um imenso gasto de esforço social, mas não atinge realmente nenhum prazer ou gozo verdadeiro com o calor e o frio.
A relação com a energia vai ser mais ligada a condições naturais. No inverno não haverá uma espécie de primavera artificial em todos os cômodos; talvez a temperatura fique apenas em torno dos 18 graus centígrados em certos ambientes, e só em alguns quartos ou salões é que vai estar mais quente. Os ibus podem vestir mais agasalhos, viver mais juntinhos, ir para a cama mais cedo de vez em quando, comer mais gorduras vão viver invernalmente, tal qual fazendeiros gaúchos ou turistas em estações de esqui nas montanhas. O frio em si não é realmente um transtorno: pergunte a um esquimó. Somente sob as condições do dia de trabalho padronizado é que parece impossível. O inverno também significa que há menos trabalho (a agricultura descansa), e mais tempo para lidar com fornos de pães e sistemas de aquecimento, com livros, com os outros, etc.
Alguns ibus ou bolos podem evitar problemas de inverno migrando para zonas temperadas, como certos pássaros. Já que se irão por vários meses, isso pode ser eficiente em termos de energia apesar da viagem. Os bolos também poderiam ter alguns acordos de hibernação entre si, e vice-versa para o verão. Haveria intercâmbios entre bolos escandinavos e espanhóis, canadenses e mexicanos, siberianos e chineses do sul, poloneses e gregos, japoneses e cariocas, etc.