vudo

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   Os bolos vão resolver a maior parte de seus problemas sozinhos ou em seus bairros (tegas). Mas ao mesmo tempo a maioria dos bolos terá fazendas ou outros recursos além dos limites do bairro. Para acomodar essas coisas, uma coordenação mais ampla poderia ser conveniente em muitos casos. Dez a vinte bairros poderiam organizar certas tarefas numa estrutura de vudo (pequena região, cidade, comarca, cantão, vale).

    O tamanho de uma comarca assim teria que ser muito flexível, dependendo das condições geográficas e das estruturas existentes. Representaria uma área funcional para aproximadamente duzentos mil ibus, ou quatrocentos bolos. Pouquíssimo transporte iria além de um vudo. A agricultura e as fábricas deveriam ser geograficamente unidas nesse nível, 90% auto-suficientes ou mais. Dentro de uma comarca seria possível a todo ibu viajar para algum lugar e voltar no mesmo dia (e ainda ter tempo para fazer alguma coisa). Em áreas densamente populadas a superfície poderia ser de 50 x 50 km, assim qualquer ibu daria a volta de bicicleta.

    Uma comarca teria o mesmo tipo de tarefas de um bairro, só que numa escala maior: energia, meios de transporte, alta tecnologia, um hospital de emergências, organização de mercados e feiras, fábricas, etc. Um serviço específico das comarcas seria cuidar de florestas, rio, áreas montanhosas, pântanos, desertos – áreas que não pertencem a bolo nenhum, são usadas comunitariamente e precisam ser protegidas contra danos de todos os tipos. Uma comarca teria mais deveres no campo agrícola, especialmente quando lidasse com conflitos entre bolos (quem ganharia qual terra?).

    Ela poderia ser organizada em torno de uma assembléia de comarca (vudo’dala). Toda assembléia de bairro mandaria dois delegados (um macho, uma fêmea) escolhidos por sorteio (ver dala, dudi).

    Algumas comarcas teriam que ser maiores, para lidar com cidades de vários milhões de habitantes. Essas megalópolis colocam um problema especial, pois seus bolos urbanos (formados com facilidade) terão dificuldade de se tornar auto-suficientes em comida. Muitas serão as abordagens desse problema. Primeiro, as grandes cidades teriam que emagrecer, de modo a formarem unidades de não mais de quinhentas mil pessoas. Em certos casos, e em cidades historicamente interessantes (Nova York, Londres, Roma, Paris, Rio de Janeiro, etc.), isso não poderia ser feito sem estragar sua imagem típica. Aí essas supercomarcas precisariam concluir acordos especiais com comarcas ou regiões periféricas quanto à troca de comida por certos serviços culturais (teatros, galerias, museus, cinemas, etc.) para várias regiões. Por outro lado, os bairros adjacentes a tais cidades poderiam atingir uma plena auto-suficiência, e as áreas emagrecidas garantiriam pelo menos um suprimento parcial de comida para os centros urbanos.15

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