asa

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    asa é o nome da espaçonave Terra. As regiões autônomas podem ser consideradas como os diferentes ambientes dessa espaçonave, e a maioria delas pode estar interessada em comparecer à assembléia planetária, asa’dala. Para isso toda região vai mandar dois delegados (um macho, uma fêmea) às reuniões, que ocorrem alternadamente a cada ano em Quito ou Beirut. A assembléia planetária é o fórum das regiões para contatos, bate-papos, encontros, trocas de presentes e de insultos, conclusão de novos acordos, aprendizado de línguas, festas e festivais, danças, disputas, etc. Uma assembléia planetária assim ou comitês especializados poderiam cuidar de assuntos planetários como o uso do mar, a distribuição de recursos fósseis, a exploração do espaço, telecomunicações, proteção de depósitos perigosos, ferrovias intercontinentais, linhas aéreas, navegação, programas de pesquisa, controle de epidemias, serviços postais, meteorologia, dicionários de uma linguagem planetária auxiliar (asa’pili), etc. As reuniões da assembléia seriam transmitidas para o mundo inteiro, para todas as regiões saberem o que seus delegados, ou os outros, falassem em Beirut ou em Quito. (É claro que alguém deve perguntar a essas duas cidades se gostariam de hospedar tal multidão.)

    Uma assembléia planetária e seus organismos só pode fazer o que as regiões participantes deixam. Se elas participam ou não, isso depende de seus próprios interesses. Qualquer região pode sair dos organismos planetários e se virar sem seus serviços. A base única do funcionamento de empreendimentos planetários são os interesses e paixões das regiões. Quando os acordos não são possíveis, surgem os problemas. Mas, devido às múltiplas redes de auto-suficiência, a situação nunca ficaria perigosa para uma região dissidente. Desse ponto de vista, fatores como a reputação de uma região, suas ligações históricas, sua identidade cultural e as relações pessoais se tornam tão importantes quanto as deliberações práticas. (Ninguém sabe o que prática quer realmente dizer.)

    As instituições planetárias terão pouquíssima influência na vida cotidiana de bolos e regiões. Vão lidar com uma certa quantidade de excedentes que não possam ser manejados pelas comunidades locais ou que não digam respeito a uma única região somente (oceanos, áreas polares, a atmosfera, etc.). Sem uma auto-suficiência regional fortemente estabelecida, uma confederação mundial assim seria uma experiência arriscada, e poderia tornar-se uma nova forma de dominação, uma nova Máquina-do-Trabalho-e-do-Poder.

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