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feno é um sistema de troca sem circulação de dinheiro. Isso não o livra, necessariamente, de se sujeitar à lógica econômica. Do mesmo modo que os interessados na troca levam em conta a quantidade de trabalho contida nos produtos, feno é completamente econômico e poderia até mesmo ser mais eficiente usando novamente o dinheiro. É por isso que existem nos Estados Unidos (sob o impacto das recessões) firmas de troca computadorizadas fazendo negócios de milhões de dólares (em 1982, quase 20 milhões) sem mexer num só centavo. Além de burlar o fisco, esses sistemas têm muitas vantagens, mas ficam restritos ao campo econômico. Outra maneira de trocar é praticada por algumas pessoas numa pequena região em torno de Santa Rosa, norte de San Francisco: as pessoas trabalham umas para as outras, recebem um cheque pelo tempo trabalhado e podem fazer até 100 horas de "dívidas". Um escritório coordena esses serviços mútuos. Sistemas cooperativados assim são conhecidos desde a Depressão dos anos 30. Embora o dinheiro não circule, a troca permanece totalmente econômica, já que não há mesmo diferença entre escrever num pedaço de papel "um cruzado" ou "uma hora". O sistema de trocas pode reduzir o anonimato e evitar certos excessos da economia monetária, mas não significa sua abolição. O que pode impedir esse sistema de tornar-se um elemento econômico importante é a combinação com valores culturais e o alto grau de auto-suficiência. Em bolobolo as trocas vão acontecer sobretudo quando dois bolos tiverem algo em comum a nível cultural: relações, religiões, música, comida, ideologias. Os judeus, por exemplo, compram sua comida somente em lojas judaicas não porque seja melhor ou mais barata, mas porque é kosher. Muitos produtos são determinados culturalmente pela maneira como foram produzidos, e só podem ser úteis a pessoas que tenham as mesmas preferências culturais. Em bolobolo, como não há quase produção de massa, também não há produção nem propaganda de massa. As trocas serão não-econômicas, pessoais, e a comparação do tempo de trabalho investido nos produtos é secundária. Como hoje não existem essas condições, também não existem verdadeiros fenos. A medida de tempo de trabalho necessário será quase impossível, já que o trabalho assalariado terá sido abolido e não haverá nenhuma outra forma adequada de calcular o valor econômico da mão-de-obra. (Como determinar a quantidade de trabalho necessária a um dado processo de produção se ele acontece cada vez de uma forma diferente? Só a grande indústria dá essa medida.) A noção de valor estará sempre presente de alguma forma nas trocas sociais, mas em certas circunstâncias pode se tornar instável, inexata e desimportante.