20 Mas como fazer com que essas regras de guerra sejam respeitadas? Será que a violência não vai simplesmente superar todas as inibições e regras? Esse medo é típico de uma civilização que baniu a violência direta durante séculos para preservar a burocratizada violência estatal. Como a violência será experimentada no dia-a-dia, as pessoas aprenderão a lidar com ela de maneira racional. (O mesmo vale para sexualidade, fome, música, etc.) A racionalidade é ligada à redundância: eventos que ocorrem raramente levam a reações catastróficas. As regras de guerra funcionavam bem no tempo dos antigos gregos e romanos, na Idade Média, entre os índios norte-americanos e em muitas outras civilizações. Somente em casos de comunicação insuficiente poderiam ocorrer catástrofes como César, Gengis Khan, Cortez, etc. bolo’bolo excluirá tais acidentes históricos: teremos comunicação universal (telefone, redes de computadores, etc.) e as regras serão conhecidas.

    É claro que as complicações são possíveis. A obrigatoriedade de seguir as regras pode levar a milícias provisórias, por exemplo, se um dos lados insistir na transgressão. Essas milícias poderiam desenvolver uma dinâmica interior e virar um tipo de exército, que por sua vez precisaria ser controlado por milícias mais fortes. Mas tal escalada pressupõe um sistema econômico centralizado com recursos adequados e espaços socialmente vazios onde pudesse acontecer. Ambas as condições faltarão.

    Também é imaginável que um latoeiro arrebatado e solitário construa uma bomba atômica no porão de uma fábrica deserta e esteja a ponto de destruir um bairro inteiro ou uma comarca segundo seu nima (identidade cultural). Ele teria alguns problemas para conseguir o material necessário sem que ninguém por perto suspeitasse. O controle social espontâneo impediria o pior. Mas mesmo um latoeiro maluco seria menos perigoso que os cientistas e políticos de hoje...

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