4 A idéia de dinheiro como medida de troca simples e fácil é muito comum entre os teóricos da utopia e da vida alternativa. Alguns deles lamentam apenas excessos como a inflação, o acúmulo de fortunas, o abuso com objetivos capitalistas, e sonham com o restabelecimento do dinheiro como uma medida sólida para o trabalho. É típico que o utopista norte-americano Callembach não pareça estar atento ao fato de que os dólares continuam circulando na sua Ecotopia exatamente como circulavam antes. Não há sentido em propor um sistema de trocas diretas, pessoais e ecológicas e ao mesmo tempo admitir um veículo de circulação anônimo, indireto e centralizado (o dinheiro). Como medida geral de troca, o dinheiro pressupõe produção em massa (só nesse caso é que se pode medir e comparar os produtos), um sistema bancário central, distribuição em massa etc. É exatamente esse anonimato básico e a falta de responsabilidade de todos por tudo que permitem tantos mecanismos de destruição da natureza e das pessoas. Callembach coloca esses mecanismos como um problema moral (respeito à natureza, etc.), então precisa de um (muito simpático, muito democrático, até feminino) Estado Central (A Grande Irmã) para reparar os danos causados pelo sistema através do controle de preços, dos regulamentos, das leis e prisões (naturalmente, estas são só "campos de treinamento"). O que ele permite economicamente tem que proibir politicamente, e abre assim as portas para a moralidade. ("Vocês não devem...") Quanto ao uso limitado de moedas locais, ver sadi.

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